Domingos Vieira Ribeiro foi um influente mercador estabelecido em Porto nas primeiras décadas do século XVIII. Natural de Guimarães, onde residiam os seus pais, Domingos Vieira e sua mulher Ana Ribeiro, moradores na Rua de S. Domingos, fixou residência na Rua da Fonte Aurina e no Terreiro, no Porto, integrando-se plenamente na vida social e económica da cidade. Das suas relações comerciais, destaca-se Pedro Henkel, comerciante ativo no Porto no final do século XVII e no início do século XVIII, inserido numa rede de mercadores estrangeiros com ligações marítimas a Londres, Amesterdão e Hamburgo.
A sua relevância no seio da elite portuense é atestada pela sua admissão, em 2 de maio de 1712, como irmão na Venerável Ordem Terceira de São Francisco, e pela sua pertença à Confraria de Nossa Senhora da Conceição, sediada na mesma Ordem. Faleceu, com todos os sacramentos, a 21 de janeiro de 1721, na freguesia de S. Nicolau, Porto, de doença prolongada.
No plano económico, a sua atividade estendeu-se ao comércio atlântico com o Brasil e à gestão de rendas públicas, tendo servido como contratador das dízimas do pescado em Viana do Castelo entre 1714 e 1716. O seu perfil de homem de negócios surge indissociável de uma rede de valia social, que incluía figuras do meio oficial, como o ourives de prata António Pereira da Silva, que o assistiu durante o período de doença.
As suas disposições testamentárias refletem uma profunda preocupação com a assistência social e a rede familiar. Domingos Vieira Ribeiro instituiu legados em favor do Hospital de Santa Clara (Rua dos Mercadores) e do Hospital de D. Lopo (Santo Ildefonso). Demonstrou ainda o seu compromisso com a Ordem Terceira ao destinar dotes às filhas órfãs das irmãs da referida instituição. Em termos hereditários, contemplou as suas sobrinhas, filhas de sua irmã Catarina Vieira, assegurando, assim, a continuidade do património e do amparo no núcleo familiar.
Pessoa singular
·
1705-1744