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Registo de autoridade
Manuel Gouveia Biscaia
Pessoa singular · [1700-1764-08-10]

Manuel Gouveia Biscaia foi um homem de negócios com ligações ao Brasil, especialmente ao Rio de Janeiro. Natural de Pico de Regalados, no bispado de Braga. Filho legitimado de Manuel Martins Biscaia e de Eugénia Pires. Casou com Maria da Fonseca e Silva na freguesia de São Tiago de Chamoim, concelho de Terras de Bouro, com quem não teve filhos. Vivia na Rua das Hortas, da parte da fábrica, vindo das partes da América.
Fez testamento, ficando a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto como testamenteira. No mesmo, deixa a intenção de criar os enjeitados da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro com o dinheiro dos créditos que tinha a receber.
Faleceu a 10 de agosto de 1764; foi sepultado na igreja dos religiosos do Carmo com todos os sacramentos.
Teria, segundo o seu assento de óbito, cerca de sessenta anos de idade, magro, de grande estatura e de cabelo negro.

José Monteiro de Almeida
Pessoa singular · 1700-1744-02-17

José Monteiro de Almeida foi um mercador da cidade do Porto e irmão da Venerável Ordem de S. Francisco desta cidade.
Foram seus pais João Pinheiro de Almeida, filho de António Pinheiro, ourives de prata e morador em Viseu, e sua mulher Maria da Cruz, filha de Maria João, da Vila de Moinhos.
Entrou como irmão da Ordem a 15 de fevereiro de 1707 e professou a 10 de fevereiro de 1708.

João Pinto Ribeiro
Pessoa singular · 1716-08-02-1765

João Pinto Ribeiro foi irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto; era natural da freguesia de Santa Marinha de Fornos, comarca de Sobre-Tâmega, filho legítimo de Manuel Ribeiro e de sua mulher, Domingas Pinto, naturais e moradores no lugar de Vila Maior, freguesia de Santa Marinha de Fornos, do bispado do Porto.
Foi morador na Rua da Ponte de S. Domingos do Porto, onde faleceu a 19 de dezembro de 1765.
Entrou como irmão da Ordem em 1716-08-02. Foi casado com Maria Carneiro de S. Francisco, sem filhos.
Deixou como testamenteiros a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, a Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a Mesa da Ordem Terceira de S. Domingos do Porto e a Confraria dos Clérigos.

Francisco Leon Larrey
Pessoa singular · 1714-02-12-1736

Francisco Leon Larrey foi um mercador francês oriundo da cidade de Bayonne, em França, que viveu no Porto, na Rua da Ourivesaria, no início do século XVIII. Filho legítimo de Bernard Larrey e de sua mulher Joana de Laboredu. Tornou-se irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto a 20 de janeiro de 1708. Sem herdeiros, deixou a mesma Ordem como testamenteira.
Fez testamento em 12 de fevereiro de 1714. Entre as suas disposições testamentárias, deixa dotes para órfãs.
Em 1721 vivia na casa de Bernardo Clamus, na rua Nova, segundo o seu codicilo.
Teve um irmão que faleceu num hospital em França.

Domingos Vieira Ribeiro
Pessoa singular · 1705-1744

Domingos Vieira Ribeiro foi um influente mercador estabelecido em Porto nas primeiras décadas do século XVIII. Natural de Guimarães, onde residiam os seus pais, Domingos Vieira e sua mulher Ana Ribeiro, moradores na Rua de S. Domingos, fixou residência na Rua da Fonte Aurina e no Terreiro, no Porto, integrando-se plenamente na vida social e económica da cidade. Das suas relações comerciais, destaca-se Pedro Henkel, comerciante ativo no Porto no final do século XVII e no início do século XVIII, inserido numa rede de mercadores estrangeiros com ligações marítimas a Londres, Amesterdão e Hamburgo.
A sua relevância no seio da elite portuense é atestada pela sua admissão, em 2 de maio de 1712, como irmão na Venerável Ordem Terceira de São Francisco, e pela sua pertença à Confraria de Nossa Senhora da Conceição, sediada na mesma Ordem. Faleceu, com todos os sacramentos, a 21 de janeiro de 1721, na freguesia de S. Nicolau, Porto, de doença prolongada.
No plano económico, a sua atividade estendeu-se ao comércio atlântico com o Brasil e à gestão de rendas públicas, tendo servido como contratador das dízimas do pescado em Viana do Castelo entre 1714 e 1716. O seu perfil de homem de negócios surge indissociável de uma rede de valia social, que incluía figuras do meio oficial, como o ourives de prata António Pereira da Silva, que o assistiu durante o período de doença.
As suas disposições testamentárias refletem uma profunda preocupação com a assistência social e a rede familiar. Domingos Vieira Ribeiro instituiu legados em favor do Hospital de Santa Clara (Rua dos Mercadores) e do Hospital de D. Lopo (Santo Ildefonso). Demonstrou ainda o seu compromisso com a Ordem Terceira ao destinar dotes às filhas órfãs das irmãs da referida instituição. Em termos hereditários, contemplou as suas sobrinhas, filhas de sua irmã Catarina Vieira, assegurando, assim, a continuidade do património e do amparo no núcleo familiar.

Domingos Martins Sampaio
Pessoa singular · 16--1729

Domingos Martins Sampaio foi um proeminente homem de negócios, familiar do Santo Ofício e benfeitor institucional. Natural da freguesia de São Cipriano da Refontoura, concelho de Felgueiras, era filho legítimo de Jerónimo Martins e Maria de Sampaio. Entre o final do século XVII e o início do século XVIII, estabeleceu-se na cidade da Bahia (Brasil), onde desenvolveu uma intensa e próspera atividade mercantil no comércio atlântico.

Regressado a Portugal, fixou residência na Rua Nova, na cidade do Porto. A 4 de maio de 1702, contraiu matrimónio na Igreja Paroquial de São Nicolau com Ana Maria Lobo (da família Lobo Guimarães).

Teve uma presença marcante no tecido sociorreligioso e assistencial da cidade do Porto, integrando uma extensa rede de sociabilidade devocional. Foi irmão e benfeitor da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto (VOTSF), à qual instituiu um expressivo legado patrimonial e piadoso. Pertenceu, igualmente, a diversas confrarias e ordens da cidade, entre as quais:

  • Sedes Paroquiais e Sé Catedral: Santíssimo Sacramento (São Nicolau), São Joaquim, São Pantaleão, Santo António, Santas Almas, Santo Nome de Jesus do Corpo Santo, Santa Bárbara e São Brás (Sé do Porto);
  • Casas Monástico-Conventuais e Colégios: São Francisco Xavier e Santa Ana (Colégio da Companhia de Jesus); São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário (Convento de São Domingos);
  • Âmbito Franciscano (VOTSF / Convento de São Francisco): Senhor do Desagravo, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Soledade, São Pedro Mártir e Santa Luzia;
  • Outras Devoções e Enclaves da Cidade: Bom Jesus de Matosinhos, Senhor dos Passos (São João Novo) e São Cosme e São Damião (onde exerceu o cargo de mordomo).

Faleceu em 1729 na sua residência na Rua Nova, no Porto. O seu espólio documental constitui um testemunho de exceção para o estudo das redes mercantis luso-brasileiras e das estratégias de salvação da alma e de reprodução social da burguesia mercantil portuense do Antigo Regime, integrando registos de carga, livros de razão, contratos de companhias comerciais e uma densa correspondência familiar e de negócios.

Bernardo Fernandes Guimarães
Pessoa singular · 1706-11-09-1766

Bernardo Fernandes Guimarães foi um proeminente homem de negócios e mercador da praça do Porto, atuando como figura central de uma importante rede mercantil atlântica entre o Reino e o Brasil.
Natural da Revoreda, freguesia de São Tomé (concelho de Guimarães), era filho de Francisco Fernandes e Maria Francisca. Inseria-se numa sólida rede familiar e comercial, sendo cunhado de Pedro Pereira Guimarães, mercador de relevo no Porto e "familiar do Santo Ofício" da Inquisição de Coimbra — estatuto que garantia a "limpeza de sangue" e o prestígio social do grupo.
A sua atividade económica estendeu-se para além de Portugal, tendo-se estabelecido em Santos (Brasil), onde integrou a elite mercantil que controlava o fluxo transatlântico de mercadorias (como açúcar, ouro e manufaturas europeias). No âmbito da sua integração sociorreligiosa e da afirmação do seu estatuto na sociedade portuense, manteve fortes ligações à Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, cuja documentação arquivística conserva registos fundamentais sobre o seu percurso.
Como reflexo da sua ascensão económica e do padrão de investimento da burguesia mercantil setecentista, adquiriu a Quinta da Pena, localizada na freguesia de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), que se tornou um dos marcos do seu património fundiário em Portugal.

Bernardino Ferreira de Macedo
Pessoa singular · [1660-1747]

Bernardino Ferreira de Macedo foi um homem de negócios da cidade do Porto, com negócios no Brasil, e irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, onde entrou em 1734 e deixou como sua testamenteira ou aos seguintes substitutos, na cidade do Porto: Manuel da Costa Carneiro, Pascoal de Araújo Távora.
Pertencia também à Confraria do Santíssimo Sacramento de Santo Ildefonso, à Confraria de Jesus no Recolhimento do Anjo e à Santa Casa de Jesus. Beneficiou também no seu testamento o mosteiro do Bom Jesus de Bouças, Nossa Senhora do Bom Despacho de Barcelos, Nossa Senhora da Aparecida, no lugar do Carvoeiro, Convento das Carmelitas do Porto, Hospital de S. Lázaro do Porto
Era natural da freguesia de Gondifelos, na Vila Nova de Famalicão, filho legítimo de Paulo Ferreira de Macedo e de sua mulher, Paula Sanches de Faria.
Deixou forro o mulato Pedro, na nota do tabelião Inácio Francisco Barbosa na cidade da Baía, e uma quantia de dinheiro. Assim como concede a alforria a Domingas e aos seus filhos, Rita e António.