João Pinto Ribeiro foi irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto; era natural da freguesia de Santa Marinha de Fornos, comarca de Sobre-Tâmega, filho legítimo de Manuel Ribeiro e de sua mulher, Domingas Pinto, naturais e moradores no lugar de Vila Maior, freguesia de Santa Marinha de Fornos, do bispado do Porto.
Foi morador na Rua da Ponte de S. Domingos do Porto, onde faleceu a 19 de dezembro de 1765.
Entrou como irmão da Ordem em 1716-08-02. Foi casado com Maria Carneiro de S. Francisco, sem filhos.
Deixou como testamenteiros a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, a Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a Mesa da Ordem Terceira de S. Domingos do Porto e a Confraria dos Clérigos.
Foi Irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, o padre José Marques Leite deixou como testamenteira a mesma Ordem. Faleceu em Santo Ildefonso, na rua em frente ao adro, a 14 de setembro de 1769.
José Monteiro de Almeida foi um mercador da cidade do Porto e irmão da Venerável Ordem de S. Francisco desta cidade.
Foram seus pais João Pinheiro de Almeida, filho de António Pinheiro, ourives de prata e morador em Viseu, e sua mulher Maria da Cruz, filha de Maria João, da Vila de Moinhos.
Entrou como irmão da Ordem a 15 de fevereiro de 1707 e professou a 10 de fevereiro de 1708.
Manuel Ferreira de Brito, natural de Freamunde, era filho legítimo de João de Brito e de Ana Ferreira. A 30 de setembro de 1750, deu entrada como irmão na Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, à qual também pertencia a Irmandade dos Clérigos. Aquando da sua morte, ocorrida no hospital da Ordem Franciscana, foi sepultado na Igreja dos Clérigos, tendo deixado como testamenteiros a própria Ordem de São Francisco e o Doutor António Ferreira Carneiro.
Manuel Gouveia Biscaia foi um homem de negócios com ligações ao Brasil, especialmente ao Rio de Janeiro. Natural de Pico de Regalados, no bispado de Braga. Filho legitimado de Manuel Martins Biscaia e de Eugénia Pires. Casou com Maria da Fonseca e Silva na freguesia de São Tiago de Chamoim, concelho de Terras de Bouro, com quem não teve filhos. Vivia na Rua das Hortas, da parte da fábrica, vindo das partes da América.
Fez testamento, ficando a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto como testamenteira. No mesmo, deixa a intenção de criar os enjeitados da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro com o dinheiro dos créditos que tinha a receber.
Faleceu a 10 de agosto de 1764; foi sepultado na igreja dos religiosos do Carmo com todos os sacramentos.
Teria, segundo o seu assento de óbito, cerca de sessenta anos de idade, magro, de grande estatura e de cabelo negro.
Homem de negócios da cidade do Porto terá nascido em meados do século XVII e faleceu na freguesia de S. Nicolau, Porto, a 21 de março de 1747, sendo solteiro. Tornou-se irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da cidade do Porto em 06 de fevereiro de 1732 e professou na mesma Ordem a 26 de abril de 1733.
Habitava na Rua dos Banhos e deixou como sua testamenteira esta mesma Ordem de S. Francisco do Porto. Pertencia igualmente à confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de S. Nicolau.
Maria Soares da Silva, irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, sua testamenteira, viúva de Salvador Pereira Coelho e moradora na Rua do Paraíso e na Rua de Porta de Carros. Faleceu em 8 de março de 1743.
A génese das ordens terceiras remonta ao século XIII, tendo a Ordem Terceira de São Francisco sido fundada por São Francisco de Assis, com a sua regra aprovada em 1289, durante o pontificado de Nicolau IV, e posteriormente confirmada por outros pontífices. Ao longo do século XV e no início da centúria seguinte, outras ordens religiosas promoveram a criação de congéneres, destacando-se a aprovação, em 1476, da regra da Ordem Terceira do Carmo por Sisto IV.
A disseminação destas instituições pela Europa esteve a cargo dos frades menores, que atuaram como os principais veículos de transmissão dos seus ideais. Nos novos territórios ultramarinos descobertos, os terceiros desempenharam um papel fulcral na concretização da política de povoamento insular atlântico, assumindo uma tarefa indispensável no apoio espiritual aos primeiros habitantes e na assistência aos mais carenciados.
Neste contexto, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto foi fundada em 1633, numa capela do claustro do Convento de São Francisco. Inicialmente regida pela Bula Supra Montem, obteve estatutos próprios em 1660.
O perfil institucional da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco enquadra-se no espírito do seu tempo: centrado na renovação da espiritualidade leiga— com foco nos exercícios espirituais e na prática orante —, desenvolveu-se num quadro de dependência jurídica em relação aos franciscanos regulares. A aproximação a estes últimos justificava-se tanto pela sua natureza orgânica quanto pela observância da regra aprovada pela Santa Sé.
Destinadas a leigos de ambos os sexos, as ordens terceiras exigiam de seus membros o cumprimento de um ano de noviciado em sociedade, após o qual prestavam profissão solene, distinguindo-se, contudo, do regime próprio dos religiosos.
Embora acolhessem maioritariamente as camadas sociais intermédias e, pontualmente, elementos das elites, estas instituições não eram tão seletivas quanto as Misericórdias. Distinguiam-se destas por aceitarem mulheres, por não funcionarem com um número estipulado (número fechado) de irmãos e por não estabelecerem uma separação rígida entre os membros. Esta abertura explica o facto de o seu arquivo custodiar numerosos fundos e espólios documentais de irmãos e irmãs que optavam por doar a totalidade dos seus bens à Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, movidos por propósitos espirituais e caritativos.
Esta dinâmica era potenciada por um espaço institucional inclusivo e sem barreiras aparentes à entrada, revelando-se particularmente acolhedor para as mulheres — indicador claro de uma forte feminização da irmandade —, fossem viúvas, casadas, órfãs ou donzelas.
Com uma longevidade de quase quatro séculos, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto tem sabido adaptar-se aos tempos, encontrando diferentes práticas e soluções para se reatualizar perante os desafios modernos inerentes às suas áreas de intervenção. Atualmente, a vertente de instituição religiosa laica continua a ser a trave-mestra que orienta a sua atuação, transversal a valências como o Hospital, o Lar Margarida Lisboa, a Residência Rainha Santa Isabel, o Museu e o Cemitério Privativo.
Optou-se pela adoção de um Quadro de Classificação orgânico-funcional, por ser o modelo que melhor traduz a estrutura orgânica da Ordem Terceira de Coimbra e que, com maior rigor, reflete a génese e a evolução da produção documental desde 1659 até à atualidade.
No âmbito da estrutura do fundo, identificaram-se as seguintes secções e subarquivos:
Constituição, Organização e Regulamentação
Mesa Administrativa
Gestão Financeira
Gestão do Património
Gestão Religiosa
Subarquivo do Hospital de Santa Isabel da Hungria (integrando as secções de Constituição, Organização e Regulamentação e de Administração do Hospital)
Subarquivo da Confraria de Nossa Senhora da Conceição
Subarquivo da Confraria de Santa Ana
Subarquivo da Capela de Santa Rosa de Viterbo
Subarquivo de Santo António
O conjunto documental integra, a título de incorporação/legado, a documentação relativa a irmãos e irmãs proveniente da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, bem como as coleções de ephemera, de fotografia e de Cartas Patentes.