Ana Maria Lobo Guimarães nasceu na freguesia de S. Paio, Guimarães, a 19 de agosto de 1674 e casou na freguesia de S. Nicolau (Porto) a 4 de maio de 1712. Após a morte de seu marido, o Alferes Domingos Martins Sampaio, em 1729, continuou a gestão das várias companhias comerciais e marítimas que possuíam, às quais se dedicou até à sua morte, em março de 1737. Deixou como seus herdeiros o seu irmão António Lobo Guimarães e a Ordem de S. Francisco do Porto, da qual era irmã, como consta da certidão do seu testamento, feita a pedido de seu irmão, em 1742.
Domingos Vieira Ribeiro foi um influente mercador estabelecido em Porto nas primeiras décadas do século XVIII. Natural de Guimarães, onde residiam os seus pais, Domingos Vieira e sua mulher Ana Ribeiro, moradores na Rua de S. Domingos, fixou residência na Rua da Fonte Aurina e no Terreiro, no Porto, integrando-se plenamente na vida social e económica da cidade. Das suas relações comerciais, destaca-se Pedro Henkel, comerciante ativo no Porto no final do século XVII e no início do século XVIII, inserido numa rede de mercadores estrangeiros com ligações marítimas a Londres, Amesterdão e Hamburgo.
A sua relevância no seio da elite portuense é atestada pela sua admissão, em 2 de maio de 1712, como irmão na Venerável Ordem Terceira de São Francisco, e pela sua pertença à Confraria de Nossa Senhora da Conceição, sediada na mesma Ordem. Faleceu, com todos os sacramentos, a 21 de janeiro de 1721, na freguesia de S. Nicolau, Porto, de doença prolongada.
No plano económico, a sua atividade estendeu-se ao comércio atlântico com o Brasil e à gestão de rendas públicas, tendo servido como contratador das dízimas do pescado em Viana do Castelo entre 1714 e 1716. O seu perfil de homem de negócios surge indissociável de uma rede de valia social, que incluía figuras do meio oficial, como o ourives de prata António Pereira da Silva, que o assistiu durante o período de doença.
As suas disposições testamentárias refletem uma profunda preocupação com a assistência social e a rede familiar. Domingos Vieira Ribeiro instituiu legados em favor do Hospital de Santa Clara (Rua dos Mercadores) e do Hospital de D. Lopo (Santo Ildefonso). Demonstrou ainda o seu compromisso com a Ordem Terceira ao destinar dotes às filhas órfãs das irmãs da referida instituição. Em termos hereditários, contemplou as suas sobrinhas, filhas de sua irmã Catarina Vieira, assegurando, assim, a continuidade do património e do amparo no núcleo familiar.