Fundada por São Francisco de Assis no século XIII, a Ordem Terceira de São Francisco teve a sua regra aprovada em 1289 durante o pontificado de Nicolau IV, sendo mais tarde confirmada por outros pontífices. Posteriormente, assistiu à criação de outras congéneres por outras Ordens religiosas, que as erigiram, principalmente, ao longo do século XV e no início da centúria seguinte. Já a regra da Ordem Terceira do Carmo foi aprovada em 1476 por Sisto IV.
A disseminação dessas instituições pela Europa ficou a dever-se aos frades menores, servindo de veículo transmissores das suas ideias. Nos novos territórios descobertos, os terceiros desempenharam um importante papel no seguimento da política de povoamento destes territórios insulares atlânticos, executando uma tarefa indispensável no apoio espiritual aos primeiros habitantes e na assistência aos mais carenciados.
A Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto foi fundada em 1633, numa capela do claustro do Convento de S. Francisco. Regeu-se pela Bula "supra Montem" até obter Estatutos próprios em 1660.
O perfil da Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco insere-se no seu tempo: renovação da espiritualidade do mundo laical, em torno dos exercícios espirituais ou arte de orar, num quadro de dependência jurídica dos franciscanos regulares. Aproximam-se destes pela sua orgânica e Regra aprovada pela Santa Sé.
As Ordens Terceiras destinavam-se a leigos de ambos os sexos, embora os seus membros estivessem vinculados ao cumprimento de um ano de noviciado em sociedade, após o qual faziam também profissão, todavia diferia da dos religiosos.
Recebiam as camadas sociais intermédias, embora pudessem contar também com alguns elementos das elites, não eram tão seletivas quanto as Misericórdias, desde logo por aceitarem mulheres, mas também por não operarem com um número fechado e não existir separação entre os seus membros. Daí o seu arquivo possuir inúmeros acervos de irmãos/irmãs que optavam por doar todos os seus bens, à Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, com intuito espiritual e caritativo.
Para esta realidade contribui o seu espaço aberto, porque não parece colocar reservas a entradas; acolhedor de mulheres — indicador de uma forte feminização da instituição — acolhedor para mulheres viúvas, casadas e até donzelas.
Centenária de quase quatro séculos, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto vem encontrando, nos últimos tempos, diferentes práticas e soluções para se reatualizar, à luz dos modernos desafios exigidos pela natureza específica das suas áreas de atividade.
A vertente de instituição religiosa laica continua, na atualidade, a ser a linha matriz que rege a nossa forma de encarar todos esses reptos, seja no âmbito do Hospital, do Lar Margarida Lisboa, da Residência Rainha Santa Isabel, do Museu ou do Cemitério Privativo.
Maria Soares da Silva, irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, sua testamenteira, viúva de Salvador Pereira Coelho e moradora na rua do Paraíso e na rua de Porta de Carros. Faleceu em 8 de março de 1743.
Homem de Negócios da cidade do Porto terá nascido em meados do século XVII e faleceu na freguesia de S. Nicolau, Porto, a 21 de Março de 1747, sendo solteiro. Tornou-se irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da cidade do Porto em 06 de fevereiro de 1732 e professou na mesma Ordem a 26 de abril de 1733.
Habitava na Rua dos Banhos e deixou como sua testamenteira esta mesma Ordem de S. Francisco do Porto. Pertencia igualmente À confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de S. Nicolau.
Manuel Gouveia Biscaia foi um homem de negócios com ligações ao Brasil, Rio de Janeiro. Natural de Pico de Regalados, bispado de Braga. filho legitimado de Manuel Martins Biscaia e de Eugénia Pires. Casou com Maria da Fonseca e Silva na freguesia de São Tiago de Chamoim, concelho de Terras de Bouro, com quem não teve filhos. Vivia na rua das Hortas, da parte da fábrica, vindo das partes da América.
Fez testamento ficando como testamenteira a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto. No mesmo, deixa a intenção de criar os enjeitados da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro com o dinheiro de créditos que tinha a receber.
Faleceu a 10 de agosto de 1764, foi sepultado na igreja dos religiosos do Carmo com todos os sacramentos.
Teria, segundo o seu assento de óbito, cerca de sessenta anos de idade, magro, de estatura alta e cabelo negro.
Manuel Ferreira de Brito era natural de Freamunde, irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto e da Irmandade dos Clérigos, faleceu no hospital da mesma Ordem e foi sepultado na igreja dos Clérigos, Porto. Filho legítimo de João de Brito e de sua mulher Ana Ferreira. entrou como irmão da Ordem em 1750-09-30. Deixou como testamenteiros a Ordem de S. Francisco do Porto e o doutor António Ferreira Carneiro.
José Monteiro de Almeida foi um mercador da cidade do Porto e irmão da Venerável Ordem de S. Francisco desta cidade.
Foram seus pais João Pinheiro de Almeida, filho de António Pinheiro, ourives de prata e morador em Viseu, e sua mulher Maria da Cruz que foi filha de Maria João, da Vila de Moinhos.
Entrou como irmão da Ordem em 1707-02-15.
Irnão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, o padre José Marques Leite deixou como testamenteira a mesma Ordem. Faleceu em Santo Ildefonso, na rua em frente ao adro, a 14 de setembro de 1769.
João Pinto Ribeiro foi irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, era natural da freguesia de Santa Marinha de Fornos, comarca de Sobre Tâmega, filho legítimo de Manuel Ribeiro e de sua mulher Domingas Pinto naturais e moradores no lugar de Vila Maior, freguesia de Santa Marinha de Fornos do bispado do Porto.
Foi morador na rua da Ponte de S. Domingos do Porto onde veio a falecer a 19 de dezembro de 1765.
Entrou como irmão da Ordem em 1716-08-02. Foi casado com Maria Carneiro de S. Francisco, sem filhos.
Deixou como testamenteiros a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, a Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a Mesa da Ordem Terceira de S. Domingos do Porto e a Confraria dos Clérigos.
Joana Maria era natural de Ovar, solteira, filha de António da Cunha e de Teresa Maria. Foi irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, a quem deixou como sua testamenteira em seu testamento. Residia no Porto, junto à Fonte Taurina.
Inês Lopes foi Irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, casado com o também irmão João Domingues Maia, alfaiate e mercador de panosda cidade do Porto com ligação ao Brasil.
Entraram como Irmãos em 19 de dezembro de 1734, residiam em Miragaia junto à Fonte da Colher. João Domingos Maia era filho de Manuel Domingues e de sua mulher Ana Antónia moradores na freguesia de S. Salvador de Vilar de Andorinho. Inês Lopes era filha de André Lopes e de sua mulher Leonor Ferreira moradores na freguesia de Santa Maria do Olival. O seu registo de entrada contém inquirição de limpeza de sangue.
Em 1682 abriram um recolhimento para Irmãs e em 1734-43, este deu lugar a um hospital para todos os doentes, curáveis e crónicos, da Ordem, intitulado Hospital de Santa Isabel. A 13 de março de 1711 foi substituído por um hospital "de enfermos".
Em janeiro de 1746 foi destruído por um incêndio que chegou a atingir a Capela da Ordem, tendo-se decidido mandar fazer um cemitério e, por cima deste, uma Casa de Despacho e Secretaria, obra que ficou a cargo de Nicolau Nasoni.
Francisco Leon Larrey foi um mercador francês oriundo da cidade de Bayonne em França que viveu do Porto, na rua da Ourivesaria no início do século XVIII. Filho legítimo de Bernard Larrey e de sua mulher Joana de Laboredu. Tornou-se irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto a 20 de janeiro de 1708. Sem herdeiros deixou como testamenteira a mesma Ordem.
Fez testamento a 12 de fevereiro de 1714. entre as suas disposições testamentárias deixa dotes para órfãs.
Em 1721 vivia na casa de Bernardo Clamus, na rua Nova, segundo o seu codicilo.
Teve um irmão que faleceu num hospital em França
Irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto em 1732-12-12, sua testamenteira, faleceu a 27 de junho de 1737.
Deixou livres com sustento e casas as suas escravas Rosa e Maria Cogu, de quem teve três filhos José, Josefa e Francisco.
Francisco da Silva e Sousa era natural de S. Lourenço das Pias, Lousada, filho de Manuel Fernandes e de sua mulher Maria Ribeira. Viveu em Ponte de Lima, no couto da Feitosa, e foi homem de negócios na cidade do Porto.
Entrou como irmão na Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto em 1745-02-23.
Sem herdeiros direitos, nunca casara, deixa a Venerável ordem Terceira de S. Francisco do Porto como sua testamenteira.
A Fotografia Alvão teve como antecessor o Atelier e Escola de Fotografia, pertencente ao Photo Velo Club, inaugurado em janeiro de 1902 por iniciativa de Raúl Teixeira, e tinha como operador gerente Domingos Espírito Santo Alvão (n.1869-m.1946). O Atelier e o Photo Velo Club funcionavam nas mesmas instalações da Rua de Santa Catarina no Porto, nº 100 (ou 120, após renumeração das portas da rua). A partir de 1903, Domingos Alvão assumiu totalmente as responsabilidades do atelier, passando este a ser designado de Fotografia Alvão. A loja de fotografia associada a este estabelecimento, gerida por José da Silva Pereira, foi autonomizada em 1904, passando a ser designada por Foto Iris. Por volta de 1906, Álvaro Cardoso de Azevedo (n.1894-m.1967) inicia a sua atividade na firma, como aprendiz e em 1914, assume a gerência da firma. Segundo Filipe Figueiredo (2000), havia não só uma partilha óbvia da chancela comercial entre Azevedo e o seu mestre Alvão, como os trabalhos de ambos eram muito semelhantes, "na forma de utilizar a objectiva"(...)"o mesmo tipo de enquadramento, a mesma luz, as mesmas profundidades de campo, enfim, um modo muito próximo de trabalhar as cambiantes possíveis na arte fotográfica." (FIGUEIREDO, 2000, pág.153) Na década de 1920, a firma contava com os seguintes colaboradores, que garantiam a elevada produção fotográfica de Domingos Alvão: João Alvão, especialista em retocagem e irmão de Domingos, Álvaro Cardoso de Azevedo, Júlia Claro, José Fernandes Mendes de Oliveira, Afonso Ribeiro, Conceição de Jesus Pereira, Francisco Tavares, Delfim Ferreira Malta e José Ferreira. José Oliveira chegou a ser sócio-gerente da firma (déc.1960) e juntamente com Afonso Ribeiro, assumiam as funções de retrato de estúdio e do funcionamento da firma, nos momentos em que não se encontrava Alvão e Azevedo. Em 1924 foi constituida a sociedade Alvão & C.ª. A casa Fotografia Alvão fez-se representar com as fotografias de Domingos Alvão, na publicação Gazeta das Aldeias, entre os anos de 1929 e 1974, e recebeu uma grande encomenda feita pelo Instituto do Vinho do Porto em 1933, que se prolongou por dezenas de anos. Recebeu também encomendas de grandes empresas, câmaras municipais, centrais elétricas, hospitais, e outras entidades públicas. Quando Domingos Alvão tinha 68 anos e já pretendia abandonar a atividade profissional, Álvaro de Azevedo assume as responsabilidades da firma, em 1937, quando a sociedade se dissolve. Podem ser encontrados trabalhos posteriores a essa data com a chancela prestigiante da casa fotográfica, embora Alvão se tenha afastado definitivamente da vida profissional que tivera. Álvaro de Azevedo encontra um novo sócio, José Fernandes Mendes de Oliveira, um funcionário superior da firma, tendo sido criada na década de 1940 a nova sociedade Azevedo & Fernandes, Lda. - Fotografia Alvão. Continuaram a ser realizados os seguintes trabalhos feitos anteriormente por Alvão: "(...) retrato, levantamento fotográfico para empresas, publicidade de firmas sob a forma de catálogos, fotografia de arquitetura de novas edificações do Estado Novo, levantamento dos Bairros Sociais (...)" (FIGUEIREDO, 2000, pág. 210), assim como foi mantida a colaboração com periódicos nacionais e estrangeiros. A casa teve como últimos colaboradores Afonso Ribeiro, empregado de escritório e Eduardo Lemos, balconista, estes com 30 e 23 anos de casa respetivamente, Maria Delfina, no laboratório, Peixoto, no atelier de retratos, Cosme, empregado pessoal e operador de Álvaro Azevedo. Álvaro de Azevedo faleceu em 1967, a firma foi vendida nos anos 1970, e manteve a chancela da Fotografia Alvão, embora nada tenha de continuidade com os trabalhos de Domingos Alvão ou com os sucessores.
Domingos Martins Sampaio terá sido natural da região do Minho, filho de Jerónimo Martins e de sua mulher Maria de Sampaio, casou com Ana Maria Lobo na tarde do dia 4 de maio de 1702, por palavras presente na igreja de São Nicolau do Porto. Homem de negócios e familiar do Santo Ofício, a maior parte da sua produção documental é relativa a registos de carregamentos de mercadorias, livros de razão, contratos de companhias comerciais com outros mercadores, livros de receita e despesa e uma vasta série de correspondência recebida.
Foi irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, a quem deixou vasto legado. Faleceu, em 1729, na Rua Nova, Porto.
Confraria instituída no convento de S. Francisco e que reunia, inicialmente, na Casa do Capítulo e, posteriormente, em 1797 na Casa de Despacho da Ordem de S. Francisco do Porto.
Era composta por um juiz, mordomos, escrivão e procuradores. Em 1798 aparece, pela primeira vez, uma juíza de nome D. Rosa Joaquina Clara de Melo.
Estava subordinada ao síndico da Ordem de S. Francisco do Porto.
Bernanrdo Fernandes Guimarães foi um homem de negócios da cidade do Porto, estabelecido na cidade de Santos, Brasil. Filho legítimo de Francisco Guimarães e de sua mulher Maria Francisca, moradores no lugar da Revoreda, freguesia de S. Tomé termo de Guimarães. Irmão de ana Francisca Pereira casada com Pedro Pereira Guimarães, mercador e familiar do Santo Ofício da Inquisição de Coimbra.
Bernardino Ferreira de Macedo foi um homem de negócios da cidade do Porto, com negócios no Brasil, e irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, onde entrou em 1734 e deixou como sua testamenteira ou aos seguintes substitutos, na cidade do Porto: Manuel da Costa Carneiro, Pascoal de Araújo Távora.
Pertencia também à Confraria do Santíssimo Sacramento de Santo Ildefonso, à Confraria de Jesus no Recolhimento do Anjo e à Santa Casa de Jesus. Beneficiou também no seu testamento o mosteiro do Bom Jesus de Bouças, Nossa Senhora do Bom Despacho de Barcelos, Nossa Senhora da aparecida, no lugar do Carvoeiro, Convento das Carmelitas do Porto, Hospital de S. Lázaro do Porto
Era natural da freguesia de Gondifelos, Vila Nova de Famalicão, filho legítimo de Paulo Ferreira de Macedo e de sua mulher Paula Sanches de Faria.
Deixou forro o mulato Pedro, na nota do tabelião Inácio Francisco Barbosa na cidade da Baía, e uma quantia de dinheiro. Assim como concede alforria a Domingas seus filhos Rita e António.