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Registo de autoridade
Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto
Pessoa coletiva · 1633-

A génese das ordens terceiras remonta ao século XIII, tendo a Ordem Terceira de São Francisco sido fundada por São Francisco de Assis, com a sua regra aprovada em 1289, durante o pontificado de Nicolau IV, e posteriormente confirmada por outros pontífices. Ao longo do século XV e no início da centúria seguinte, outras ordens religiosas promoveram a criação de congéneres, destacando-se a aprovação, em 1476, da regra da Ordem Terceira do Carmo por Sisto IV.
A disseminação destas instituições pela Europa esteve a cargo dos frades menores, que atuaram como os principais veículos de transmissão dos seus ideais. Nos novos territórios ultramarinos descobertos, os terceiros desempenharam um papel fulcral na concretização da política de povoamento insular atlântico, assumindo uma tarefa indispensável no apoio espiritual aos primeiros habitantes e na assistência aos mais carenciados.
Neste contexto, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto foi fundada em 1633, numa capela do claustro do Convento de São Francisco. Inicialmente regida pela Bula Supra Montem, obteve estatutos próprios em 1660.
O perfil institucional da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco enquadra-se no espírito do seu tempo: centrado na renovação da espiritualidade leiga— com foco nos exercícios espirituais e na prática orante —, desenvolveu-se num quadro de dependência jurídica em relação aos franciscanos regulares. A aproximação a estes últimos justificava-se tanto pela sua natureza orgânica quanto pela observância da regra aprovada pela Santa Sé.
Destinadas a leigos de ambos os sexos, as ordens terceiras exigiam de seus membros o cumprimento de um ano de noviciado em sociedade, após o qual prestavam profissão solene, distinguindo-se, contudo, do regime próprio dos religiosos.
Embora acolhessem maioritariamente as camadas sociais intermédias e, pontualmente, elementos das elites, estas instituições não eram tão seletivas quanto as Misericórdias. Distinguiam-se destas por aceitarem mulheres, por não funcionarem com um número estipulado (número fechado) de irmãos e por não estabelecerem uma separação rígida entre os membros. Esta abertura explica o facto de o seu arquivo custodiar numerosos fundos e espólios documentais de irmãos e irmãs que optavam por doar a totalidade dos seus bens à Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, movidos por propósitos espirituais e caritativos.
Esta dinâmica era potenciada por um espaço institucional inclusivo e sem barreiras aparentes à entrada, revelando-se particularmente acolhedor para as mulheres — indicador claro de uma forte feminização da irmandade —, fossem viúvas, casadas, órfãs ou donzelas.
Com uma longevidade de quase quatro séculos, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto tem sabido adaptar-se aos tempos, encontrando diferentes práticas e soluções para se reatualizar perante os desafios modernos inerentes às suas áreas de intervenção. Atualmente, a vertente de instituição religiosa laica continua a ser a trave-mestra que orienta a sua atuação, transversal a valências como o Hospital, o Lar Margarida Lisboa, a Residência Rainha Santa Isabel, o Museu e o Cemitério Privativo.

Optou-se pela adoção de um Quadro de Classificação orgânico-funcional, por ser o modelo que melhor traduz a estrutura orgânica da Ordem Terceira de Coimbra e que, com maior rigor, reflete a génese e a evolução da produção documental desde 1659 até à atualidade.

No âmbito da estrutura do fundo, identificaram-se as seguintes secções e subarquivos:

Constituição, Organização e Regulamentação

Mesa Administrativa

Gestão Financeira

Gestão do Património

Gestão Religiosa

Subarquivo do Hospital de Santa Isabel da Hungria (integrando as secções de Constituição, Organização e Regulamentação e de Administração do Hospital)

Subarquivo da Confraria de Nossa Senhora da Conceição

Subarquivo da Confraria de Santa Ana

Subarquivo da Capela de Santa Rosa de Viterbo

Subarquivo de Santo António

O conjunto documental integra, a título de incorporação/legado, a documentação relativa a irmãos e irmãs proveniente da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, bem como as coleções de ephemera, de fotografia e de Cartas Patentes.

Maria Soares da Silva
Pessoa singular · 1723-1763

Maria Soares da Silva, irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, sua testamenteira, viúva de Salvador Pereira Coelho e moradora na Rua do Paraíso e na Rua de Porta de Carros. Faleceu em 8 de março de 1743.

Manuel Pereira Ribeiro
Pessoa singular · 1732-02-06-1765-04-11

Homem de negócios da cidade do Porto terá nascido em meados do século XVII e faleceu na freguesia de S. Nicolau, Porto, a 21 de março de 1747, sendo solteiro. Tornou-se irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da cidade do Porto em 06 de fevereiro de 1732 e professou na mesma Ordem a 26 de abril de 1733.
Habitava na Rua dos Banhos e deixou como sua testamenteira esta mesma Ordem de S. Francisco do Porto. Pertencia igualmente à confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de S. Nicolau.

Manuel Gouveia Biscaia
Pessoa singular · [1700-1764-08-10]

Manuel Gouveia Biscaia foi um homem de negócios com ligações ao Brasil, especialmente ao Rio de Janeiro. Natural de Pico de Regalados, no bispado de Braga. Filho legitimado de Manuel Martins Biscaia e de Eugénia Pires. Casou com Maria da Fonseca e Silva na freguesia de São Tiago de Chamoim, concelho de Terras de Bouro, com quem não teve filhos. Vivia na Rua das Hortas, da parte da fábrica, vindo das partes da América.
Fez testamento, ficando a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto como testamenteira. No mesmo, deixa a intenção de criar os enjeitados da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro com o dinheiro dos créditos que tinha a receber.
Faleceu a 10 de agosto de 1764; foi sepultado na igreja dos religiosos do Carmo com todos os sacramentos.
Teria, segundo o seu assento de óbito, cerca de sessenta anos de idade, magro, de grande estatura e de cabelo negro.

Manuel Ferreira de Brito
Pessoa singular · 1750-09-30-1765-06-08

Manuel Ferreira de Brito, natural de Freamunde, era filho legítimo de João de Brito e de Ana Ferreira. A 30 de setembro de 1750, deu entrada como irmão na Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, à qual também pertencia a Irmandade dos Clérigos. Aquando da sua morte, ocorrida no hospital da Ordem Franciscana, foi sepultado na Igreja dos Clérigos, tendo deixado como testamenteiros a própria Ordem de São Francisco e o Doutor António Ferreira Carneiro.

José Monteiro de Almeida
Pessoa singular · 1700-1744-02-17

José Monteiro de Almeida foi um mercador da cidade do Porto e irmão da Venerável Ordem de S. Francisco desta cidade.
Foram seus pais João Pinheiro de Almeida, filho de António Pinheiro, ourives de prata e morador em Viseu, e sua mulher Maria da Cruz, filha de Maria João, da Vila de Moinhos.
Entrou como irmão da Ordem a 15 de fevereiro de 1707 e professou a 10 de fevereiro de 1708.

José Marques Leite
Pessoa singular · 1700-1769

Foi Irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, o padre José Marques Leite deixou como testamenteira a mesma Ordem. Faleceu em Santo Ildefonso, na rua em frente ao adro, a 14 de setembro de 1769.

João Pinto Ribeiro
Pessoa singular · 1716-08-02-1765

João Pinto Ribeiro foi irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto; era natural da freguesia de Santa Marinha de Fornos, comarca de Sobre-Tâmega, filho legítimo de Manuel Ribeiro e de sua mulher, Domingas Pinto, naturais e moradores no lugar de Vila Maior, freguesia de Santa Marinha de Fornos, do bispado do Porto.
Foi morador na Rua da Ponte de S. Domingos do Porto, onde faleceu a 19 de dezembro de 1765.
Entrou como irmão da Ordem em 1716-08-02. Foi casado com Maria Carneiro de S. Francisco, sem filhos.
Deixou como testamenteiros a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, a Mesa da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a Mesa da Ordem Terceira de S. Domingos do Porto e a Confraria dos Clérigos.

Joana Maria
Pessoa singular · [1700-1758]

Joana Maria era natural de Ovar, solteira, filha de António da Cunha e de Teresa Maria. Foi irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, à qual designou como sua testamenteira. Residia no Porto, junto à Fonte Taurina.

Inês Lopes
Pessoa singular · [1700-1760]

Inês Lopes foi Irmã da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto, casada com o também irmão, João Domingues Maia, alfaiate e mercador de panos da cidade do Porto, com ligação ao Brasil.
Entraram como Irmãos em 19 de dezembro de 1734; residiam em Miragaia junto à Fonte da Colher. João Domingos Maia era filho de Manuel Domingues e de sua mulher Ana Antónia, moradores na freguesia de S. Salvador de Vilar de Andorinho. Inês Lopes era filha de André Lopes e de sua mulher, Leonor Ferreira, ambos moradores na freguesia de Santa Maria do Olival. O seu registo de entrada contém inquirição sobre limpeza de sangue.

Pessoa coletiva · 1682-

Em 1682, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto fundou um recolhimento para doze irmãs entrevadas, instalado num quintal que a Ordem possuía junto à capela. As fundadoras foram nove irmãs, cinco viúvas e quatro casadas, que custearam a sua instalação e foram eleitas e nomeadas no dia de Santa Isabel, Rainha de Portugal, a 4 de julho. Eram elas: D. Mariana da Costa, viúva do comendador e irmão Manuel Gomes; D. Isabel de Albuquerque, viúva de António Pinto, fidalgo da Casa Real; Doroteia de Jesus, viúva do irmão e benfeitor Pedro Blens; Luísa Marques, viúva do irmão Bento da Costa; Isabel Soares, viúva do irmão João Pinheiro; Inês, mulher do irmão Gregório Bezerra de Aguiar; Maria de Mesquita, mulher do irmão Domingos Mendes; Paula Pinto, mulher do irmão António da Mota; e Berta de Abreu, mulher do irmão Manuel de Sousa Meireles. A obra iniciou-se em 11 de agosto e terminou em 19 de novembro de 1686, com um custo de 250 000 réis.
Em 13 de março de 1711, o recolhimento foi substituído por um hospital "de enfermos" e, entre 1734 e 1743, este deu lugar a um hospital destinado a todos os doentes da Ordem, curáveis e crónicos, intitulado Hospital de Santa Isabel.
Em janeiro de 1746, um incêndio destruiu o edifício e chegou a atingir a Capela da Ordem. Decidiu-se, então, construir um cemitério e, por cima dele, uma Casa de Despacho e Secretaria, obra confiada a Nicolau Nasoni.
Segundo o Regimento de 1750, o hospital era governado por dois mordomos eleitos mensalmente, um deles era um antigo mesário e atuava como tesoureiro. O pessoal incluía ainda padres capelães, enfermeiros e enfermeiras, uma cozinheira e um porteiro.
Ao longo dos séculos XVIII e XIX, seguiram-se outras fases construtivas, conhecidas graças à abundante documentação preservada até hoje, como o inventário do hospital de 1788, publicado por Natália e Jaime Ferreira-Alves. No século XIX, assinala-se ainda a generosidade de dois beneméritos do Brasil, que financiaram novas etapas das obras: o irmão Joaquim António Ferreira (1777-1859), barão de Guaratiba, e Francisco José da Rocha Leão (1781-1853), primeiro barão de Itamarati.
A partir do século XIX, à medida que a instituição evolui funcionalmente, surgem novos tipos documentais, como tabelas de despesas com géneros alimentícios, registos de internamentos e mapas diários do hospital. Em 1852, na sessão da Mesa de 9 de junho, foi aprovado um regulamento interno do hospital, compilado por uma comissão eleita pela Mesa, que ouviu alguns irmãos que exerciam o cargo de mordomos do hospital. O regulamento era composto por disposições gerais e por catorze capítulos.
No século XX, o regulamento interno de 1902 do hospital-asilo estabelecia como atribuições tratar os doentes, recolher os entrevados, asilar os inválidos, internar particulares e distribuir diariamente sopa e pão aos pobres. Seguiu-se uma nova fase com a Comissão Instaladora dos Serviços do Hospital (1913-1914), que deixou um livro de atas, e, a partir de 1946, existem registos da Caixa Sindical de Previdência do Pessoal da Indústria Têxtil – Registo de Operações (1946-1950). Atualmente, o hospital dispõe de inúmeras valências e acompanha as mais recentes inovações tecnológicas em diversas áreas de tratamento.

Francisco Leon Larrey
Pessoa singular · 1714-02-12-1736

Francisco Leon Larrey foi um mercador francês oriundo da cidade de Bayonne, em França, que viveu no Porto, na Rua da Ourivesaria, no início do século XVIII. Filho legítimo de Bernard Larrey e de sua mulher Joana de Laboredu. Tornou-se irmão da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto a 20 de janeiro de 1708. Sem herdeiros, deixou a mesma Ordem como testamenteira.
Fez testamento em 12 de fevereiro de 1714. Entre as suas disposições testamentárias, deixa dotes para órfãs.
Em 1721 vivia na casa de Bernardo Clamus, na rua Nova, segundo o seu codicilo.
Teve um irmão que faleceu num hospital em França.

Francisco de Almeida Santiago
Pessoa singular · 1737-1770

Francisco de Almeida Santiago (1737–1770) ingressou na Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto, instituição que nomeou como sua testamenteira. Deixou libertas, garantindo-lhes sustento e habitação, as suas escravas Rosa e Maria Cogu. Desta última, teve três filhos: José, Josefa e Francisco.

Francisco da Silva e Sousa
Pessoa singular · 1698-1748

Francisco da Silva e Sousa era natural de S. Lourenço das Pias, em Lousada, filho de Manuel Fernandes e de sua mulher, Maria Ribeira. Viveu em Ponte de Lima, no couto da Feitosa, e foi homem de negócios na cidade do Porto.
Entrou como irmão na Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto em 1745-02-23.
Sem herdeiros diretos, nunca casara, deixa a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto como sua testamenteira.

Fotografia Alvão, Lda. 1902-1967
Pessoa coletiva · 1902 (inicio de atividade do Atelier e Escola de Fotografia) 1903 (gerência do Atelier e Escola de Fotografia por Domingos Alvão e alteração da designação do atelier para Fotografia Alvão) 1914 (gerência de Álvaro Cardoso de Azevedo) 1924 (constituição da sociedade Alvão & C.ª, entre Domingos Alvão e Álvaro Cardoso de Azevedo) 1935-10-05 (atribuição da comenda da Ordem de Cristo a Domingos Alvão) 1936 (participação no concurso e exposição promovidos pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses) 1937 (direção de Álvaro Cardoso de Azevedo e dissolução da sociedade) [déc.1940] (criação da sociedade Fotografia Alvão - Azevedo & Fernandes, Lda, entre Álvaro Cardoso de Azevedo e José Fernandes Mendes de Oliveira) 1943-03-08 (atribuição da comenda da Ordem de Cristo a Álvaro Cardoso de Azevedo) 1946 (morte de Domingos Alvão) 1967-11-23 (morte de Álvaro Cardoso de Azevedo) [déc.1970] (venda da firma, mantendo o mesmo nome comercial)

A Fotografia Alvão teve como antecessor o Atelier e Escola de Fotografia, pertencente ao Photo Velo Club, inaugurado em janeiro de 1902 por iniciativa de Raúl Teixeira, e tinha como operador gerente Domingos Espírito Santo Alvão (n. 1869 - m.1946). O Atelier e o Photo Velo Club funcionavam nas mesmas instalações da Rua de Santa Catarina, no Porto, n.º 100 (ou 120, após a renumeração das portas da rua). A partir de 1903, Domingos Alvão assumiu totalmente as responsabilidades do atelier, passando este a ser designado Fotografia Alvão. A loja de fotografia associada a este estabelecimento, gerida por José da Silva Pereira, foi autonomizada em 1904, passando a ser denominada Foto Iris. Por volta de 1906, Álvaro Cardoso de Azevedo (n.1894-m.1967) inicia a sua atividade na firma, como aprendiz e em 1914, assume a gerência da firma. Segundo Filipe Figueiredo (2000), havia não só uma partilha óbvia da chancela comercial entre Azevedo e o seu mestre Alvão, como os trabalhos de ambos eram muito semelhantes, "na forma de utilizar a objectiva"(...)"o mesmo tipo de enquadramento, a mesma luz, as mesmas profundidades de campo, enfim, um modo muito próximo de trabalhar as cambiantes possíveis na arte fotográfica." (FIGUEIREDO, 2000, pág.153) Na década de 1920, a firma contava com os seguintes colaboradores, que garantiam a elevada produção fotográfica de Domingos Alvão: João Alvão, especialista em retocagem e irmão de Domingos, Álvaro Cardoso de Azevedo, Júlia Claro, José Fernandes Mendes de Oliveira, Afonso Ribeiro, Conceição de Jesus Pereira, Francisco Tavares, Delfim Ferreira Malta e José Ferreira. José Oliveira chegou a ser sócio-gerente da firma (déc.1960) e, juntamente com Afonso Ribeiro, assumia as funções de retrato de estúdio e de funcionamento da firma, nos momentos em que não se encontravam Alvão e Azevedo. Em 1924 foi constituída a sociedade Alvão & C.ª. A Casa Fotografia Alvão fez-se representar com as fotografias de Domingos Alvão, na publicação Gazeta das Aldeias, entre 1929 e 1974, e recebeu uma grande encomenda, feita pelo Instituto do Vinho do Porto em 1933, que se prolongou por dezenas de anos. Recebeu também encomendas de grandes empresas, câmaras municipais, centrais elétricas, hospitais e outras entidades públicas. Quando Domingos Alvão tinha 68 anos e já pretendia abandonar a atividade profissional, Álvaro de Azevedo assumiu as responsabilidades da firma, em 1937, quando a sociedade se dissolveu. Podem ser encontrados trabalhos posteriores a essa data com a chancela prestigiante da casa fotográfica, embora Alvão se tenha afastado definitivamente da vida profissional que tivera. Álvaro de Azevedo encontra um novo sócio, José Fernandes Mendes de Oliveira, um funcionário superior da firma, tendo sido criada, na década de 1940, a nova sociedade Azevedo & Fernandes, Lda. - Fotografia Alvão. Continuaram a ser realizados os seguintes trabalhos anteriormente realizados por Alvão: "(...) retrato, levantamento fotográfico para empresas, publicidade de firmas sob a forma de catálogos, fotografia da arquitetura de novas edificações do Estado Novo, levantamento dos Bairros Sociais (...)" (FIGUEIREDO, 2000, pág. 210), assim como a colaboração com periódicos nacionais e estrangeiros, foi mantida. A casa teve como últimos colaboradores Afonso Ribeiro, empregado de escritório, e Eduardo Lemos, balconista, ambos com 30 e 23 anos de casa, respetivamente; Maria Delfina, no laboratório; Peixoto, no atelier de retratos; Cosme, empregado pessoal e operador de Álvaro Azevedo. Álvaro de Azevedo faleceu em 1967; a firma foi vendida nos anos 1970 e manteve a chancela da Fotografia Alvão, embora nada tenha de continuidade com os trabalhos de Domingos Alvão ou com os sucessores.

Domingos Vieira Ribeiro
Pessoa singular · 1705-1744

Domingos Vieira Ribeiro foi um influente mercador estabelecido em Porto nas primeiras décadas do século XVIII. Natural de Guimarães, onde residiam os seus pais, Domingos Vieira e sua mulher Ana Ribeiro, moradores na Rua de S. Domingos, fixou residência na Rua da Fonte Aurina e no Terreiro, no Porto, integrando-se plenamente na vida social e económica da cidade. Das suas relações comerciais, destaca-se Pedro Henkel, comerciante ativo no Porto no final do século XVII e no início do século XVIII, inserido numa rede de mercadores estrangeiros com ligações marítimas a Londres, Amesterdão e Hamburgo.
A sua relevância no seio da elite portuense é atestada pela sua admissão, em 2 de maio de 1712, como irmão na Venerável Ordem Terceira de São Francisco, e pela sua pertença à Confraria de Nossa Senhora da Conceição, sediada na mesma Ordem. Faleceu, com todos os sacramentos, a 21 de janeiro de 1721, na freguesia de S. Nicolau, Porto, de doença prolongada.
No plano económico, a sua atividade estendeu-se ao comércio atlântico com o Brasil e à gestão de rendas públicas, tendo servido como contratador das dízimas do pescado em Viana do Castelo entre 1714 e 1716. O seu perfil de homem de negócios surge indissociável de uma rede de valia social, que incluía figuras do meio oficial, como o ourives de prata António Pereira da Silva, que o assistiu durante o período de doença.
As suas disposições testamentárias refletem uma profunda preocupação com a assistência social e a rede familiar. Domingos Vieira Ribeiro instituiu legados em favor do Hospital de Santa Clara (Rua dos Mercadores) e do Hospital de D. Lopo (Santo Ildefonso). Demonstrou ainda o seu compromisso com a Ordem Terceira ao destinar dotes às filhas órfãs das irmãs da referida instituição. Em termos hereditários, contemplou as suas sobrinhas, filhas de sua irmã Catarina Vieira, assegurando, assim, a continuidade do património e do amparo no núcleo familiar.

Domingos Martins Sampaio
Pessoa singular · 16--1729

Domingos Martins Sampaio foi um proeminente homem de negócios, familiar do Santo Ofício e benfeitor institucional. Natural da freguesia de São Cipriano da Refontoura, concelho de Felgueiras, era filho legítimo de Jerónimo Martins e Maria de Sampaio. Entre o final do século XVII e o início do século XVIII, estabeleceu-se na cidade da Bahia (Brasil), onde desenvolveu uma intensa e próspera atividade mercantil no comércio atlântico.

Regressado a Portugal, fixou residência na Rua Nova, na cidade do Porto. A 4 de maio de 1702, contraiu matrimónio na Igreja Paroquial de São Nicolau com Ana Maria Lobo (da família Lobo Guimarães).

Teve uma presença marcante no tecido sociorreligioso e assistencial da cidade do Porto, integrando uma extensa rede de sociabilidade devocional. Foi irmão e benfeitor da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto (VOTSF), à qual instituiu um expressivo legado patrimonial e piadoso. Pertenceu, igualmente, a diversas confrarias e ordens da cidade, entre as quais:

  • Sedes Paroquiais e Sé Catedral: Santíssimo Sacramento (São Nicolau), São Joaquim, São Pantaleão, Santo António, Santas Almas, Santo Nome de Jesus do Corpo Santo, Santa Bárbara e São Brás (Sé do Porto);
  • Casas Monástico-Conventuais e Colégios: São Francisco Xavier e Santa Ana (Colégio da Companhia de Jesus); São Sebastião e Nossa Senhora do Rosário (Convento de São Domingos);
  • Âmbito Franciscano (VOTSF / Convento de São Francisco): Senhor do Desagravo, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Soledade, São Pedro Mártir e Santa Luzia;
  • Outras Devoções e Enclaves da Cidade: Bom Jesus de Matosinhos, Senhor dos Passos (São João Novo) e São Cosme e São Damião (onde exerceu o cargo de mordomo).

Faleceu em 1729 na sua residência na Rua Nova, no Porto. O seu espólio documental constitui um testemunho de exceção para o estudo das redes mercantis luso-brasileiras e das estratégias de salvação da alma e de reprodução social da burguesia mercantil portuense do Antigo Regime, integrando registos de carga, livros de razão, contratos de companhias comerciais e uma densa correspondência familiar e de negócios.

Confraria de Santa Ana
Pessoa coletiva · 1780-1793

As Ordens Terceiras em Portugal permitiam maior participação das mulheres, pois propiciavam um espaço próprio de sociabilidade e de prática devocional.
Da Confraria de Santa Ana apenas subsistiu um livro de eleição de mordomas, com datas extremas entre 1780 e 1793, ou seja, pouco mais de uma década. Trata-se de um livro pequeno, em papel, não numerado e encadernado em papel. Esta confraria, quase exclusivamente feminina, era constituída por um juiz, as irmãs
mordomas, um escrivão e um procurador. Vejamos a primeira eleição.

Confraria da Nossa Senhora da Conceição
Pessoa coletiva · 1652-1809

Confraria instituída no convento de S. Francisco e que reunia, inicialmente, na Casa do Capítulo e, posteriormente, em 1797, na Casa de Despacho da Ordem de S. Francisco do Porto.
Era composta por um juiz, mordomos, escrivão e procuradores. Em 1798, aparece pela primeira vez uma juíza de nome D. Rosa Joaquina Clara de Melo.
Estava subordinada ao síndico da Ordem de S. Francisco do Porto.